Corinthians piora com um jogador a mais contra o Flamengo; de quem é a culpa?
- Rafael Alaby
- 23 de mar.
- 4 min de leitura
O Corinthians ficou no empate por 1 a 1 contra o Flamengo na noite deste domingo, na Neo Química Arena, no encerramento da oitava rodada do Brasileirão. O resultado acabou sendo frustrante, pois a equipe alvinegra atuou com um jogador a mais na maior parte do segundo tempo após a expulsão de Evertton Araújo.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Dorival Júnior levou a campo uma formação no 4-4-2, sem surpresas, mas com oito mudanças em relação ao empate sem gols contra a Chapecoense na quinta-feira.
O Corinthians foi surpreendido logo aos três minutos de bola rolando, quando Hugo Souza saiu jogando errado e deixou a bola limpa para Jorginho, que rapidamente acionou Pedro na direita. O atacante rolou para Lucas Paquetá abrir o placar. Inacreditável a dificuldade que o goleiro corintiano tem com a bola nos pés. Um erro individual que acabou comprometendo demais. Contra a Chapecoense, o camisa 1 cometeu vacilo parecido no primeiro tempo, mas por sorte o atacante Marcinho, que não tem a mesma categoria do meia flamenguista, finalizou muito mal.
Inicialmente, Corinthians sentiu o golpe do gol relâmpago, porém, aos poucos se organizou em campo e chegou ao empate na primeira chegada mais contundente ao ataque. Memphis deu linda inversão na esquerda para Matheus Bidu, que cruzou na medida para Yuri Alberto empatar a partida aos 19. No lance da pré-assistência, o holandês sentiu lesão muscular e acabou sendo substituído. Rodrigo Garro entrou no seu lugar. O camisa 10 não consegue ter sequência desde meados do ano passado. São muitas lesões em curto período. Problemas de preparação física? Fica a questão no ar.
O Timão cresceu após o gol, conseguiu se impor ao forte Flamengo, exerceu bem o perde-pressiona, porém, encerrou o primeiro tempo sem chances claras para virar o placar. Quem esteve mais perto de ir para o intervalo com a vantagem foi o time visitante. Isso só não aconteceu porque Hugo Souza fez milagre em voleio de Arrascaeta.
O Corinthians voltou para a etapa final sem mudanças. Aos sete, Evertton Araújo cometeu falta em Breno Bidon e recebeu o cartão vermelho. Achei a decisão injusta do árbitro Rodrigo Pereira de Lima. Não vi impacto para a expulsão do volante do Flamengo. Um amarelo estaria de ótimo tamanho.
Com um a mais, o Alvinegro aumentou a posse de bola, porém, não conseguiu pressionar o adversário. O time voltou em ritmo mais lento. Impressionante a falta de padrão nos 90 minutos. Isso para mim evidencia falhas no preparo físico do elenco. O trabalho dos preparadores físicos é pior que o de Dorival.
O treinador fez três mudanças ao longo da etapa final. Kayke, Gui Negão e Matheus Pereira entraram nas vagas de Carrillo, Breno Bidon e André, mas não conseguiram agregar tecnicamente e levar o Corinthians à vitória. O primeiro errou quase tudo o que tentou. Sinceramente não entendo as seguidas chances dadas ao jovem, que raramente acrescenta algo útil ao time. O segundo é esforçado, mas muito limitado tecnicamente. Prova disso foi a finalização bizarra que errou nos acréscimos. Yuri Alberto ficou com a sobra e bateu para grande defesa de Rossi. Essa foi a única chance clara alvinegra no segundo tempo. Pouco para quem tinha urgência em quebrar o jejum de sete jogos sem vitórias.
Mais pitacos sobre Corinthians x Flamengo
- As limitações técnicas no setor de ataque são evidentes. Há três nomes com boa qualidade no elenco: Yuri Alberto, Memphis Depay e Kaio César, que em dois meses de clube já sofreu duas lesões musculares. Pouco para as tradições alvinegras. Não dá para responsabilizar apenas a comissão técnica pelo fraco poder ofensivo. Dá para dividir a responsabilidade com a diretoria.
- O que também irrita muito neste Corinthians, principalmente quando joga em casa, é que o time tem o domínio da posse de bola, toca para direita, toca para esquerda, mas tem medo em finalizar a gol. Assim, fica praticamente impossível buscar os três pontos.
- Não dá para deixar de destacar a péssima arbitragem de Rodrigo Ferreira de Lima, que também prejudicou demais o Corinthians ao não dar pênalti de Ayrton Lucas em André no segundo tempo, picotar o jogo com faltinhas na etapa final e ser conivente com a cera dos atletas do Flamengo. Os 10 minutos de acréscimos pouco tiveram bola rolando e o responsável pelo apito não acrescentou mais nada. Absurdo! Desanimador! CBF deveria cuidar com mais carinho da qualidade do espetáculo e capacitar melhor seus árbitros.
- Há parte da torcida cobrando a demissão de Dorival Júnior antes do pós-Data Fifa. Creio que não há justificativa para a troca de treinador neste momento. Não há nenhum grande nome no mercado. Torcedores falam em Marcelo Gallardo, que recentemente deixou o River Plate. Mas é ilusão crer que o endividado clube buscará a contratação de um técnico caríssimo.
- Nos últimos anos, o Corinthians teve muitos treinadores e as trocas no comando surtiram pouco efeito. O trabalho de Dorival está longe ser sólido, há problemas, mas não dá para dizer que é ruim. Em menos de um ano, levou o clube a dois títulos (Copa do Brasil e Supercopa) que pareciam ser improváveis diante de um cenário político caótico e pouco poder de investimento, com direito a transfer ban por longos meses, impedindo a contratação de reforços para o elenco. Prometo escrever uma análise mais aprofundada sobre a comissão técnica nos próximos dias, antes do duelo contra o Fluminense no dia 1º de abril, no Maracanã.




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