Derrota para o Mirassol mostra que o Corinthians não leva a sério o Brasileirão e tem elenco desequilibrado
- Rafael Alaby
- 3 de mai.
- 4 min de leitura
O Corinthians perdeu a invencibilidade de sete jogos sob o comando de Fernando Diniz com a derrota por 2 a 1 para o Mirassol na noite deste domingo (03), no Maião, no encerramento da 14ª rodada do Brasileirão. O resultado colocou o apático Timão de volta à zona do rebaixamento e mostrou mais uma vez que o clube tem postura indolente na maior parte dos jogos da competição por pontos corridos. Os jogadores precisam levar mais a sério. E não dá para deixar de mencionar a arbitragem prejudicial à equipe alvinegra.

Crédito da foto: Douglas Moreti/Agência Corinthians
Diniz não pôde contar com o lateral-direito Matheuzinho, o zagueiro Gustavo Henrique e o volante André, todos suspensos. O treinador optou por manter o esquema no 4-4-2, com o volante Raniele novamente improvisado na lateral direita como na vitória sobre o Vasco, André Ramalho como parceiro de zaga de Gabriel Paulista, e apostando em Matheus Pereira no meio-campo ao lado de Allan, Breno Bidon e Rodrigo Garro.
O Corinthians apresentou dificuldades já no início de jogo, com muitos erros de passe na saída de bola e de posicionamento defensivo. Até então, o Mirassol, que iniciou a rodada na penúltima posição, teve postura mais agressiva e pressionou o time visitante nos primeiros minutos. Mas foi o Timão quem teve a primeira grande chance para abrir o placar. Yuri Alberto recebeu bom passe de Lingard e finalizou forte para defesa de Walter aos 10 minutos.
Logo em seguida, o árbitro Matheus Candançan iniciou a noite de trapalhadas. Edson Carioca cometeu falta em Matheus Pereira e recebeu vermelho direto. Cartão exagerado. O VAR recomendou a revisão, o juiz reconsiderou a decisão e aplicou apenas o amarelo. Tenho minhas dúvidas se o árbitro de vídeo teria recomendado a revisão caso o infrator fosse atleta corintiano.
Aos 20, Candançan cometeu grave erro de arbitragem ao assinalar pênalti de Matheus Bidu em Carlos Eduardo. Foi um contato normal de jogo, porém, o árbitro caiu na forçação de barra do atacante do Mirassol. Por que desta vez o VAR não recomendou a revisão? Carlos Eduardo converteu a cobrança e fez 1 a 0.
O time da casa não demorou a ampliar o placar. Aos 32, Carlos Eduardo fez boa jogada pela linha de fundo e cruzou para Edson Carioca, sem marcação, testar para o gol. Vacilo do limitado zagueiro André Ramalho, que está muito atrás de Gustavo Henrique, soberano na posição. A TV Record exibiu imagem de uma falta em Rodrigo Garro no lance que originou o segundo tento. Por que novamente o VAR não atuou? Bem estranho. Isso mostra que o Corinthians está sem bastidores na CBF. Não foi a primeira vez neste Brasileirão que o clube foi prejudicado pela arbitragem.
O Timão chegou a descontar o placar aos 35 com Breno Bidon, mas corretamente o assistente apontou impedimento de Yuri Alberto, responsável pela assistência.
Mesmo com um primeiro tempo ruim e com desvantagem considerável no placar, Diniz voltou do intervalo sem nenhuma alteração. Aos 14, Yuri Alberto quase diminuiu o prejuízo ao tabelar com Lingard e finalizar cruzado para boa defesa de Walter.
A primeira mudança do treinador alvinegro só ocorreu aos 16, com Kaio César substituindo Lingard. Antes dos 30, Pedro Raul, Dieguinho e Labyad ocuparam as vagas de Yuri Alberto e dos apagados Matheus Pereira e Rodrigo Garro.
O jogo era frio, o Corinthians não pressionava o Mirassol, que por sua vez só se preocupava em sustentar a vantagem, até que aos 34, Dieguinho foi acionado por Zakaria Labyad na direita, fez boa jogada individual e disparou chute. A bola desviou em João Victor e morreu no fundo da rede. Logo em seguida, Diniz gastou a última alteração, promovendo a estreia de Alex Santana em 2026 na vaga de Breno Bidon.
O Timão tentou pressionar em busca do empate salvador. Nos acréscimos, o goleiro Hugo Souza foi para a grande área tentando balançar as redes. No entanto, não houve nenhuma chance clara para a equipe evitar a derrota e deixar a zona do rebaixamento.
Mais pitacos
A derrota voltou a mostrar que o Corinthians tem um elenco desequilibrado na maioria dos setores. Conforme mencionado anteriormente, André Ramalho está muito atrás de Gustavo Henrique. Matheus Pereira, que até teve bons jogos no início de sua segunda passagem, faz tempo que não emplaca boas atuações. Iludiu muita gente. O meia não soube agarrar mais uma chance entre os titulares, participou pouco do jogo e quando esteve com a bola pouco fez.
Diniz tem parcela mínima pela sua primeira derrota no Corinthians, mas deveria ter mexido na equipe ainda no intervalo por mais que o banco de reservas não apresentasse tantos nomes capazes de alterar o panorama. Kaio César e Dieguinho poderiam ter sido acionados mais cedo.
Acho muito estranho pelo segundo jogo seguido no Brasileirão, o treinador optar por Raniele improvisado na lateral direita, em detrimento de Pedro Milans, que novamente não saiu do banco. Penso que o uruguaio tem qualidade inferior a Matheuzinho, mas quando entrou em campo não comprometeu. Raniele, que foi o principal destaque contra o Vasco, não foi bem contra o Mirassol, com dificuldades na marcação e na subida ao ataque.
O Corinthians precisa reagir no próximo domingo, contra o São Paulo, na Neo Química Arena. Passou da hora de o clube conseguir a primeira vitória em clássicos na temporada. Um triunfo, muito provavelmente, vai deixar a equipe fora do Z4. Não dá para admitir apenas três vitórias em 14 rodadas. Se o panorama não mudar daqui para a frente, a briga contra o rebaixamento será a realidade.
Com a classificação muito bem encaminhada às oitavas de final da Copa Libertadores, espero que a comissão técnica use um time mesclado na próxima quarta-feira, contra o Santa Fe, em Bogotá, pela competição sul-americana, e poupe a maioria dos titulares para enfrentar o São Paulo, jogo mais importante da semana.




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