O poço sem fundo no Corinthians
- Rafael Alaby
- 24 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
Não há nenhuma dúvida em dizer que o Corinthians atravessa o seu pior momento desde o rebaixamento à Série B do Brasileirão em 2007. Mesmo com melhor estrutura em relação há 17 anos, o time vive uma bagunça generalizada dentro e fora de campo. O drama de uma nova queda aumentou nos últimos dias.
A crise não se iniciou em 2024 e sim nos últimos anos ainda sob a nefasta gestão Renovação e Transparência. Augusto Melo interrompeu o fim da dinastia do grupo político com diversas promessas, entre elas colocar o Corinthians volta ao protagonismo das conquistas. Em quase quatro meses de trabalho, o novo presidente falou muito, fez pouco e tem tomado decisões administrativas equivocadas.
Acertadamente, Melo decidiu não renovar o contrato de jogadores como Gil, Renato Augusto e Bruno Méndez, mas montou muito mal o elenco com jogadores de qualidade pra lá de duvidosa e custo altíssimo, como o lateral-direito Matheuzinho e o atacante Pedro Raul. O Corinthians tem uma das folhas salariais mais caras da Série A, um time com baixo nível técnico e postulante a vaga na Série B.
Além dos problemas dentro de campo, o clube vive mergulhado em crise política com integrantes do atual grupo se desentendendo, como Rubão, diretor estatutário de futebol, e Augusto Melo. O primeiro deve ser destituído nos próximos dias. No entanto, dificilmente os ânimos vão esfriar em curto prazo.

Foto: Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians
Outros problemas extracampo são as dívidas que superam R$ 1 bilhão. Não há nenhuma previsão que elas serão quitadas.
António Oliveira perderá o cargo, mas está longe de ser o maior problema do Corinthians
Escrevo esse texto horas após a equipe perder para os reservas do Argentinos Juniors (1 a 0), em Buenos Aires, e se complicar na busca por vaga às oitavas de final da Copa Sul-Americana. Foi o terceiro revés consecutivo corintiano. António Oliveira vive o seu pior momento no clube e já balança no cargo.
É óbvio que o português vem cometendo erros, com escolhas ruins e poucas variações táticas. O início dele foi promissor, com atuações mais aceitáveis, mas longe de empolgar os torcedores. Com a eliminação precoce no Paulistão, o treinador ganhou cerca de três semanas para treinos, porém, não aproveitou a intertemporada. O time regrediu, voltou a apresentar vulnerabilidade defensiva e pouco repertório ofensivo se assemelhando ao trabalho de Mano Menezes nas primeiras rodadas do Paulistão.
A bagunça dentro de campo é generalizada. O torcedor corintiano que ficou acordado na noite de terça-feira ficou horrorizado com os jogadores tendo dificuldades em trocar passes. Cássio, o maior goleiro da história alvinegra, teve mais uma exibição comprometedora, falhando no gol adversário.
Sinceramente não acredito que António Oliveira vá reverter o quadro do Corinthians. A minha impressão é que ele está com os dias contados. Treinador está longe ser o maior problema do Corinthians. Vale lembrar que desde o último título há cinco anos (Paulistão 2019), o clube teve nada menos do que nove técnicos, sete deles foram dispensados. As exceções foram Vítor Pereira, que decidiu não renovar o contrato no fim de 2022 mesmo com bom trabalho, e Cuca, que pediu demissão após dois jogos em função da forte pressão dos torcedores após condenação por estupro a uma jovem quando ainda jogava no Grêmio na década de 80.




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