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Trabalho de Dorival Júnior no Corinthians: virtudes, defeitos e fatores dificultadores

  • Rafael Alaby
  • 24 de mar.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 25 de mar.

Prestes a completar 11 meses no Corinthians, o técnico Dorival Júnior vive o momento mais complicado no clube. O empate contra o Flamengo no último domingo, na Neo Química Arena, pela oitava rodada do Brasileirão, ampliou o jejum para sete jogos sem vitória. Há parte significativa da torcida que defende a demissão do comandante.


 Crédito da foto: Rodrigo Coca/Ag.Corinthians


Num intervalo inferior a um ano, Dorival Júnior ajudou o Corinthians a conquistar os títulos da Copa do Brasil 2025 e da Supercopa Rei 2026. No geral, o aproveitamento é de 50,52% de aproveitamento (com 26 vitórias, 19 empates e 19 derrotas, 75 gols marcados e 57 gols sofridos).

 

Pegando apenas 2026 como parâmetro, o aproveitamento é inferior a 50% dos pontos disputados, mais especificamente 49,12%. Foram até o momento sete vitórias, sete empates e cinco derrotas, com 20 gols marcados e 15 gols sofridos.

 

Eu penso que o trabalho de Dorival tem defeitos, mas é injusto dizer que seja ruim. Como ainda tem o controle do elenco, não vejo qualquer motivo para troca de treinador neste momento. Não vejo grandes nomes no mercado com potencial de fazer algo melhor. As raras boas opções têm custo muito alto e não se encaixam no orçamento alvinegro, caso do argentino Marcelo Gallardo, que recentemente deixou o River Plate.

 

Neste post, faço uma análise mais aprofundada do trabalho de Dorival, que assumiu o Corinthians no fim de abril de 2025, dias após a demissão de Ramón Díaz.

 

As virtudes de Dorival

 

Melhora na defesa


O sistema defensivo melhorou em relação a 2025. O time ainda precisa evoluir, mas tem sofrido menos gols. Gabriel Paulista encaixou bem ao lado de Gustavo Henrique, embora tenha oscilado nos últimos jogos. Na temporada passada, a equipe apresentou uma média de 0,93 gol tomado por partida. Em 2026, a média é de 0,78.

 

Espaço dado a pratas da casa

 

 Dorival lançou André no segundo semestre de 2025 e o jovem meio-campista tomou conta do setor com muito vigor físico na marcação e pisadas no campo ofensivo. O treinador potencializou o futebol de Breno Bidon, um dos atletas mais regulares da temporada. A dupla se valorizou ainda mais no mercado e tem grandes chances de deixar o clube na janela do meio do ano. No início de março, o Milan chegou a acertar a contratação de André, mas o negócio melou após a repercussão negativa entre os torcedores alvinegros devido aos valores baixos oferecidos.

 

Força no mata-mata


Até o momento, Dorival dirigiu o time em quatro competições mata-mata: Sul-Americana e Copa do Brasil, ambas em 2025, e Paulistão e Supercopa Rei, ambos em 2026. E mesmo com limitações no elenco, ajudou o time a conquistar dois títulos, diante de um cenário completamente desfavorável. Na Copa do Brasil, o Timão deixou para trás os favoritos Palmeiras e Cruzeiro. Na Supercopa Rei, houve uma convincente vitória sobre o Flamengo, atual campeão da Libertadores.

 

O que Dorival precisa melhorar

 

Trabalhar para melhorar as dinâmicas ofensivas, principalmente quando o time encara rivais fechados na defesa dentro da Neo Química Arena. Nos últimos jogos houve muitas dificuldades contra Coritiba (derrota por 2 a 0) e Flamengo (empate por 1 a 1). O Timão sofreu para criar oportunidades de gols. Por mais que haja limitações de peças no ataque, o treinador precisa buscar soluções.

 

Outro ponto é que Dorival precisa melhorar a leitura de jogo. Vem demorando certo tempo para fazer alterações. Contra o Flamengo, retardou um pouco a fazer mudanças após o adversário perder o volante Evverton Araújo, expulso. Contra o time rubro-negro não usou a quinta mudança que tinha direito. O mesmo ocorreu no empate sem gols contra a Chapecoense. Poderia ter sido um pouco mais ousado.

 

Os fatores que dificultam ou dificultaram o trabalho de Dorival

 

Cenário político conturbado


Pico ocorreu com o impeachment do presidente Augusto Melo. Em eleição indireta no Conselho Deliberativo, o vice Osmar Stabile foi escolhido a terminar o mandato até o fim de 2026.

 

Dorival e o antigo diretor de futebol Fabinho Soldado conseguiram blindar o vestiário do caos administrativo.

 

Proibição de contratações

 

 Importante lembrar que o transfer ban da Fifa em razão da dívida com o Santos Laguna-MEX referente à contratação do zagueiro Félix Torres durou quase cinco meses (entre a primeira quinzena de agosto de 2025 e início de janeiro de 2026) e impediu a contratação de novos jogadores. Time encerrou o segundo semestre com apenas um reforço: o atacante Vitinho.

 

O transfer ban atrapalhou bastante o planejamento para 2026. O clube saiu atrás dos rivais na busca por novos reforços.

 

Com orçamento reduzido, o clube teve que ser mais assertivo no mercado e buscar opções boas e baratas, a maioria sem custos de aquisição. Chegaram o zagueiro Gabriel Paulista (primeiro nome anunciado logo após a estreia oficial na temporada), o lateral-direito Pedro Milans, o volante Allan, os meias Matheus Pereira e Zakaria Labyad e os atacantes Kaio César e Jesse Lingard. O último é o único que ainda não estreou. Só o primeiro vem tendo sequência entre os titulares.

 

O Corinthians tem negociações com o atacante Arthur Cabral, do Botafogo. O experiente jogador viria por empréstimo até o fim do ano.

 

Excesso de lesões no elenco

 

Em pouco mais de dois meses da temporada 2026, oito jogadores tiveram problemas médicos. Cinco deles sofreram problemas musculares. Kaio César, que se destacou nos três jogos que disputou, teve duas contusões diferentes. A primeira aconteceu apenas em seu segundo jogo. Na vitória sobre o Capivariano, o atacante teve lesão no músculo posterior da coxa direita e ficou afastado dos gramados por 37 dias. Voltou contra o Santos há pouco mais de uma semana, mas teve inflamação perifibrótica na área acometida da lesão do mesmo músculo.

 

Kaio César é um atleta com características raras no elenco corintiano. Costuma jogar na ponta direita e conta com drible objetivo para quebrar linhas de marcação. O camisa 37 soma duas assistências mesmo com pouca minutagem.

 

Também sofreram com problemas musculares: Breno Bidon, Matheus Pereira e Memphis Depay. O holandês se tornou a mais recente baixa após ser diagnosticado com estiramento no músculo anterior da coxa direita durante o empate contra o Flamengo. Não há previsão do retorno do camisa 10.

 

Vale lembrar que em 2025, sobretudo na reta final da temporada, o Corinthians sofreu com baixas por lesões musculares.


Os constantes problemas médicos podem ser consequência de falhas na preparação física, que tem sofrido muitas críticas.

 

Calendário apertado

 

Os jogadores tiveram curto período de férias após a conquista da Copa do Brasil em 21 de dezembro. Foram apenas 11 dias de descanso. O Paulistão mais enxuto neste ano dificultou o processo da rodagem do elenco e desafiou o departamento da preparação física. Com menos datas havia riscos de eliminação ainda na primeira fase e até rebaixamento à Série A-2.

 

Entre 11 de janeiro, estreia oficial no ano, e 28 de fevereiro, o Corinthians fez nada menos do que 15 jogos, sempre atuando nos meios e fins de semana. Algo surreal e talvez inédito na história do clube em inícios de temporada.

 

O calendário ficou mais aliviado em março após eliminação na semifinal do Paulistão. O time fez apenas quatro jogos e só voltará a campo no dia 1º de abril, contra o Fluminense, no Maracanã. O próximo mês, aliás, voltará a ter maratona de jogos pelo Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.

 
 
 

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